terça-feira, 5 de junho de 2012

Outra maneira de encarar a chuva.

Minha única opção nesta manhã era encarar a chuva e o transito de São Paulo.

No entanto meu pensamento foi desviado pelo meu olhar, foi desviado pelo número imenso de guardas chuvas e sombrinhas colorindo e dançando na manhã fria e chuvosa de São Paulo.


Desvio meu olhar do transito intenso e moroso, me pego olhando para uma sombrinha dourada com estampa de onça e ao invés de encontra uma moça se guardando da chuva dou de encontro com um homem muito magro, negro, com bigodes já grisalhos, terno preto e surrado, cara de investigador de bares noturnos antigos aonde iam à busca de moças para o prazer, olho em volta e acho que tenha saído do prédio antigo à frente, bem desenhado, olho para o segundo andar e vejo o neon verde e vermelho do sex shopping. Nova sombrinha me chama atenção, desta vez com as cores do arco-íris, uma dessas que se vende nas esquinas de grande transito na capital, ela protegia da chuva um rapaz sarado de camiseta cavada. Começo a imaginar a vida de cada passante e seus guarda-chuvas.


Os casais aproximando seus corpos quentes embaixo da mesma sombrinha; a mulher elegantemente vestida para enfrentar a chuva com a sombrinha da moda; o rapaz de terno e gravata com seu guarda-chuva preto. Sem guarda-chuva somente os operários da rua com suas capas amarelas, e as mãos ocupadas pelas grandes vassouras que varem as folhas, os papeis molhados, as pontas de cigarros a sujeira das ruas com a água da chuva.


Saiu desse devaneio, e volto o olhar para o transito, assustada pelo toque da buzina que vem despertar meu pensamento: as mulheres são mais precavidas que os homens, sempre têm uma sombrinha a mão, ou na bolsa dispostas a partilhar sua proteção.


A chuva aumenta e entre o cuidado com os carros e a curiosidade aguçada em ver a dança das sobrinhas me deparo com um pobre coitado cuja única proteção é uma sombrinha com quatro varetas quebradas expostas a chuva e o pano enrugado que deixa passar a chuva e vai molhando seu corpo preparando o para um dia de trabalho úmido e frio, e assim meu olhar se desvia para uma e outra e mais outra sombrinha e mais outra e mais outro...  A cada trajeto que eu cumpria a chuva aumentava e era amparada por tecidos xadrez, florais, listrados, lisos, e debaixo da chuva a dança continua.


Sigo e chego, e com a minha sombrinha amarela e dourada começo a fazer parte da dança na chuva e ser olhada de dentro dos carros curiosos.

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