segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Sonho no Natal

Todos moravam em um carro velho de quatro portas, marrom. Em cima do bagageiro um milhão de tralhas possíveis de carregar, antes de fechar as portas da casa para sempre na fuga com a miséria. O porto de partida todos sabia, o rumo era desconhecido o ponto de chegada estava nas mãos de Deus.
 Quando a manhã chegou o café era necessário, os menores com muita fome começaram a acordar na frente da praça próximo á padaria foi à escolha para a primeira parada, e lá estão até hoje passados longos 30 dias de desespero e busca por uma casa um emprego e comida para alimentar os filhos. Uma casa possível de morar sem pagamento adiantado.
Naquele dia era Natal e como de costume mamãe arrumava a mesa para a ceia, com nossos doces preferidos, uma carne bem assada, frutas e queijos, sucos refrigerantes  pães e bolos deliciosos, para os adultos vinho e champanhe para brindar a chegada o menino Deus após a missa do galo. 
Era uma noite fresca como todo natal por aqui, meu pai olhando para nossos rostos assustados, pegou a mesa do bagageiro e se pós a armar na calçada iríamos ter nossa ceia mesmo ao ar livre, na passagem.
Num ato de coragem e determinação, apesar do medo, eu e minha irmã pegamos tudo colocamos nas costas e fomos à busca de um lugar mais no interior na praça, talvez coberto, um caramanchão! Como por encanto nos encontrávamos dentro da nave principal da igreja e o reverendo que acabara de celebrar a missa do galo ofereceu para que ali mesmo montássemos nossa mesa. E naquele momento tudo aconteceu voltamos ao tempo e todos nossos parentes nos ajudaram a compor a mesa de natal. Vovó que a muitos não nos víamos trouxe nosso bolo preferido coberto de açúcar endurecido e lindas fitas coloridas, os castiçais foram acesos, as flores nos arranjos davam um tom de vida nova para a mesa. O cheiro das guloseimas envolvia. A árvore de natal cheia de presentes com nossos nomes.
Olhávamos pela janela e víamos a mágica carruagem com Papai Noel que se afastava para outra visita, e nossos olhos brilhavam nossas bocas salivavam com os docinhos de cravo, anis e canela em forma de goma.
Não sei se foi sonho ou realidade, acordamos saciados e felizes para mais um dia de e espera pelo trabalho que minha mãe e meu pai não conseguiam. Ma s nesse dia não pareceu tão feia aquela praça com o carro marrom cheio de tralhas. Meu irmão e minhas irmãs estavam com brilhos nos olhos iguais aos meus.

Um comentário:

  1. Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Nayara e cheguei até vc através do Blog A dança das Palavras. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir um blog do meu amigo Fabrício, que eu acho super interessante, a Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. A Narroterapia está se aprimorando, e com os comentários sinceros podemos nos nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs





    Narroterapia:

    Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.



    Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.

    http://narroterapia.blogspot.com/

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